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ENTREVISTA para o DYNAMITE ONLINE

O site Dynamite Online vem publicando uma série de entrevistas com candidatos “progressistas da cultura”. Confira aqui a entrevista onde o Ale conversou sobre arte, cultura, educação, OMB e ECAD, entre outros temas!!!

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL no jantar de apoio

O programa “Transparência Radical” esteve presente no jantar de arrecadação da campanha,  que aconteceu no dia 31/08, na Pizzaria Bráz de Higienópolis. Nesse vídeo vários amigos do Ale falam sobre a campanha e sobre sua trajetória e idéias para realizar uma nova política.

Beto Lago, organizador do Mercado Mundo Mix, fala sobre o Ale e a campanha.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

CICLISTAS ADEREM À NOSSA CAMPANHA


Uma de nossas idéias é promover uma campanha limpa e diferente, que não fere a Lei Cidade Limpa e que traz alternativas para os métodos de difusão de informações e de criação de conteúdo tradicionais.
Defendemos também o direito de circular, promovendo a utilização de bicicletas como alternativa de transporte e combate à poluição.
Agora, contamos com o apoio de ciclistas que circulam pela cidade com bicicletas adaptadas divulgando nossas propostas!

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL no MuBe

Na abertura da 1a Bienal de Graffiti Fine Arte, que aconteceu no dia 02/09 no MuBe, o programa “Transparência Radical” conversou com Freitas, do site Radar Urbano, sobre seu apoio à campanha. Confira o vídeo!

Fonte: Blog “Bola & Arte”

FESTIVAL IBERO-AMERICANO DE ARTES CÊNICAS DE SANTOS (SP)

O SESC São Paulo realiza, de 2 a 11 de setembro de 2010, a primeira edição do Mirada } Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos.

O MIRADA oferece um panorama das artes cênicas dos países ibero-americanos e reúne alguns dos seus principais criadores e realizadores. Um espaço que propõe o encontro da cultura dos povos deste continente imaginário, diverso, profundamente unido pelas raízes históricas e por suas diferentes etnias.

O festival lança um olhar para a produção cultural destes países, a fim de reduzir fronteiras, ampliar horizontes e facilitar a comunicação dos mensageiros artísticos onde seja possível compartir a ética da reciprocidade, a força das ideias e fortalecer o diálogo por meio da cultura. Prioriza a troca entre criadores e público no âmbito da diversidade cultural e social dentro e fora do Brasil.

A cidade de Santos representa a síntese do espaço de encontro de diferentes povos através do porto, símbolo da união com a cultura ibero-americana ao longo da história.

Durante 10 dias 30 espetáculos, 18 produções internacionais e 13 nacionais, ocupam o SESC Santos e teatros e espaços públicos da cidade, como o Teatro Guarany, o Teatro Coliseu, a Casa da Frontaria Azulejada e o Porto. Esta primeira edição presta homenagem à produção teatral da Argentina, com a presença de realizadores do país, incluindo nomes já consagrados e jovens criadores.

Para estimular a reflexão e o intercâmbio cultural, haverá a realização de atividades compostas de mesas de debate sobre temas relacionados às artes cênicas e à cultura ibero-americana, com a participação de profissionais estrangeiros e brasileiros.

Fonte: Portal SESC SP

SÃO PAULO CAPITAL DO DESIGN SUSTENTÁVEL

No dia 11 de setembro, no Parque do Anhembi, será realizada a 9a edição do Design na Brasa, com o tema SÃO PAULO CAPITAL DO DESIGN SUSTENTÁVEL.

O evento destina-se, principalmente, a alunos e tem como objetivo prepará-los para o mercado de trabalho segundo os conceitos da sustentabilidade.

Como definem os organizadores, “é a nossa contribuição para definir os rumos futuros da nossa cidade e do país, uma vez que o prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab sancionou a Lei do dia do Design Sustentável com a finalidade de valorizar, ampliar e viabilizar propostas que vão de encontro com o tema da sustentabilidade na sociedade, na produção, na educação e na elaboração de novos projetos tornando a nossa cidade pioneira nesse tipo de iniciativa.”

O evento apresentará rodadas de discussões (palestras) envolvendo os segmentos industriais, acadêmicos e profissionais que possam enriquecer os debates. Também ocorrerão oficinas tanto conceituais como práticas e apresentações culturais.

As inscrições são gratuitas, as palestras e oficinas certificadas, podendo contar como atividades extra curriculares dos cursos relacionados.


Participe, divulgue, seja mais um colaborador dessa iniciativa tão importante que já conta 9 anos de história.


PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Raí

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No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Raí.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Katia Rubio

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No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Katia Rubio.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Daniela Castro

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No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Daniela Castro.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Alexandre Vianna

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No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Alexandre Vianna.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

TRECHO DO DEBATE “LEGADO DOS EVENTOS ESPORTIVOS”

Fonte: Blog “Bola & Arte”

INTERVENÇÃO MÁXIMA EM SANTO ANDRÉ – Fotos

Aconteceu no último domingo, dia 29 de agosto, o projeto “Intervenção Máxima”, na cidade de Santo André.
O propósito do projeto é alertar a população para a questão do abandono da cidade através de uma ocupação artística de locais “esquecidos”.
A equipe da nossa campanha esteve lá e registrou tudo. Confira as fotos!

1ª BIENAL INTERNACIONAL GRAFFITI FINE ART

Vem aí a 1ª Bienal Internacional Graffiti Fine Art, que acontece em São Paulo de 3 de setembro a 3 de outubro, no MuBE – Museu Brasileiro de Escultura. Ali desembarcam artistas de rua dos Estados Unidos, Inglaterra, Japão, Portugal, Alemanha, Argentina, Chile, Austrália, África do Sul, Dinamarca e República Tcheca, somando mais de 50 grandes nomes da cena mundial. Entre os brasileiros confirmados para o evento, estão Anjo, Binho, Chivitz, OsGêmeos, Ronah, Tikka, Titi, Zezão, entre outros.

Além dos grandes painéis que revelarão as tendências da arte urbana no mundo, a programação do evento conta com atrações paralelas, como debates, palestras, workshops e mostras de cinema sobre esse movimento. Imperdível pra quem curte o que os artistas contemporâneos têm feito pelas ruas do mundo todo, renovando conceitos sobre arte e cultura.

A abertura da Bienal ocorre dia 2 de setembro, apenas para convidados. Para o público em geral, a Bienal acontece entre os dias 3 de setembro e 3 de outubro.

APOIO DOS SKATISTAS SE MULTIPLICA

As ações de apoio à campanha envolvendo os skatistas têm se multiplicado e vêm ocorrendo por toda a cidade!

No último final de semana os skatistas visiatram áreas como a pista do Parque da Juventude, herança da época em que Ale foi Coordenador de Juventude da Prefeitura de São Paulo, além de locais como a Câmara Municipal, Praça Roosevelt e o bairro da Liberdade.

Veja as fotos abaixo!

PROGRAMA “DEBATE ELEITORAL” – A CAPA

Em sua oitava edição, o programa “Debate Eleitoral”, do site A Capa recebe Ale Youssef.

Marcelo Hailer conversa com o candidato, que fala sobre suas propostas. Ale defende a regulação das drogas, a discussão sobre os direitos da mulher ao seu próprio corpo – leia-se aborto – e a conquista de leis que efetivamente ampliem os direitos da comunidade LGBT.

Youssef também critica a imagem que alguns candidatos tentam vender ao eleitorado jovem, e fala da falta de ressonância política de eventos como as Paradas gays.

Confira a entrevista completa a seguir.

Programa DEBATE ELEITORAL – 8a Edição – 27/08/2010 from acapatv on Vimeo.

JANTAR DE ARRECADAÇÃO!

ABRAÇO 43

Distribua esse abraço!

Participe!

INTERVENÇÃO MÁXIMA EM SANTO ANDRÉ

No próximo domingo (29) a cidade de Santo André, no ABCD paulista, vai ganhar um pouco mais de cor em uma das suas áreas mais degradadas. Aproximadamente 200 artistas irão realizar a já proclamada “Intervenção Máxima”, um evento que tem como propósito alertar a população para a questão do abandono da cidade. O lugar escolhido foi uma antiga fábrica, na Avenida Industrial (próximo a estação de trem Prefeito Saladino), entregue ao descaso e ao mau aproveitamento há mais de 20 anos.


O local foi “desbravado” inicialmente pelo artista plástico Moisés Patrício, que ja vinha utilizando o espaço como um lugar de estudo e desenvolvimento de seus trabalhos há cerca de um ano. Solitário, Moisés encontrou lá um palco para uma futura intervenção artística, algo que se consolidou pouco tempo depois com a ajuda de outros colaboradores. Eles chegaram ao consenso de que o espaço poderia ser muito mais que apenas mais um lugar para pintar, e sim um manifesto contra o esquecimento. Dentre eles estão nomes conhecidos das artes visuais como Ozi e Celso Githay.


A fábrica escolhida, mais conhecida visivelmente por suas peculiares torres, atraiu de imediato a atenção de outros simpatizantes a partir do primeiro registro divulgado na internet, esse, por sua vez, o principal meio de comunicação do grupo atualmente.


Algumas incursões no local já foram feitas e contabiliza-se hoje que cerca de 80 artistas já passaram pela fábrica, como graffiteiros, pintores, fotógrafos, escultores, cinegrafistas, simpatizantes etc.


“O mais legal é ver que esse lugar virou uma galeria para a população, um alerta sobre o melhor aproveitamento dos espaços públicos, todos criando e gerando arte, livres de qualquer preconceito ou barreiras artísticas. É um movimento a favor da criação, uma celebração da arte”, afirma o “embaixador” do movimento, Moisés.


Aliás, é esse o principal objetivo da intervenção, aproximar o artista da cidade e a cidade da arte. Em um momento onde o cinza está dando lugar à cor, mas não a cor da arte e sim às agressivas cores das campanhas eleitorais, uma reflexão sobre o momento que passamos é mais que necessária.


Participe!
Dia 29/8 (domingo), a partir das 9h.
Local: Avenida Industrial S/Nº, ao lado da estação de trem Prefeito Saladino e Moinho São Jorge, Santo André, SP.
Para mais informações: Moisés Patrício, no tel (11) 6971 3328.

MAIS UMA AÇÃO DE APOIO DOS SKATISTAS

Aconteceu no dia 25 de Agosto mais uma ação espontânea dos skatistas Alexandre ZikkZira e David Toledo em apoio à campanha de Ale Youssef. Na época em que foi Coordenador de Juventude da Prefeitura de São Paulo, Ale articulou a construção de 64 pistas de skate na cidade, surgindo daí o apoio. Valeu pela força!

Dessa vez o local escolhido foi a pista de skate do Parque da Juventude (antigo Complexo do Carandirú). Veja as fotos abaixo!

ALE É O CONVIDADO DE HOJE NO “SALA DE MARINA”

Ale é o convidado do programa “Sala de Marina”, que discutirá nesta quinta-feira (26), às 17h, o tema economia criativa.

Além de Ale, participam também da discussão Lala De Heinzelin, CEO da Enthusiasmo Cultural; Rodrigo Basso, administrador cujo trabalho de conclusão de curso foi sobre economia criativa; Eymard Ribeiro, artista plástico; e Marcio Araújo, do Coletivo Black.

O programa será transmitido ao vivo pelo site www.minhamarina.org.br/salademarina e os espectadores poderão interagir por meio de mensagens e perguntas, via Twitter, usando a hashtag #salademarina.

Participe!

SKATISTAS EM APOIO À CAMPANHA – Vídeos

Os skatistas Alexandre Zikkzira e David Toledo realizaram uma ação no centro de São Paulo, no dia 24 de Agosto, em apoio à campanha de Ale Youssef.

A ação de apoio surgiu espontaneamente dos skatistas pois, quando foi Coordenador de Juventude da Prefeitura de São Paulo, Ale articulou a construção de 64 pistas de skate na cidade.

Confira aqui os vídeos!

SKATISTAS EM APOIO À CAMPANHA – Fotos

Os skatistas Alexandre Zikkzira e David Toledo realizaram uma ação no centro de São Paulo, no dia 24 de Agosto, em apoio à campanha de Ale Youssef.

A ação de apoio surgiu espontaneamente dos skatistas pois, quando foi Coordenador de Juventude da Prefeitura de São Paulo, Ale articulou a construção de 64 pistas de skate na cidade.

Confira as fotos!

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Caio Tulio Costa

No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Caio Tulio Costa.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Michel Blanco

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No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Michel Blanco.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Denis Russo Burgierman

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No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Denis Russo Burgierman.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

TRECHOS DO DEBATE “Transparência Radical”

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Nina Lopes

No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Nina Lopes.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Sylvia Amaral

No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Sylvia Maria Mendonça do Amaral.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com André Fischer

No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com André Fischer.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

TRECHOS DO DEBATE “Casamento e adoção gay”

Fonte: Blog “Bola & Arte”

SITUAÇÃO DOS DIREITOS HOMOAFETIVOS

Em 2007 foi protocolado no Congresso o Projeto de Lei n. 2285/07  conhecido como Estatuto das Famílias,  que em seu artigo 68 garantia a UNIÃO HOMOAFETIVA com direitos como União civil e Adoção garantidos no texto.

No ano passado foi aprovado substitutivo que retirava do PL Estatuto das Famílias qualquer garantia de direitos aos homoafetivos.

No debate de hoje sobre CASAMENTO E ADOÇÃO GAY vamos debater o Estatuto e pensar ações para incluir novamente os direitos da União Homoafetiva. Para nós o texto original é que deve ser aprovado.

Veja aqui o projeto original do Estatuto das Famílias, que defenderemos no mandato:

Estatuto das Famílias Original

Veja aqui a diferença entre a versão original e o substitutivo:

Estatuto da Família x substitutivo

O CANDIDATO DA CULTURA URBANA

TRECHOS DO DEBATE “Economia Criativa”

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Ronaldo Lemos

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No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Ronaldo Lemos.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Pablo Capilé

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No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Pablo Capilé.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Pena Schimidt

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No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Pena Schimidt.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Baixo Ribeiro

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No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Baixo Ribeiro.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Camilo Rocha

No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Camilo Rocha.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

VOCAÇÃO FEDERAL

Confira abaixo, materia e entrevista da revista TRIP sobre minha candidatura:

A maioria conhece Alexandre Youssef como o dono do Studio SP, “o cara do Baixo Augusta”. Está certo. Mas vai além, e começa antes. Ele passou a vida fazendo política. Foi presidente de centro acadêmico da faculdade de direito do Mackenzie, assessor do ex-ministro da Justiça José Carlos Dias e coordenador da Juventude da ex-prefeita Marta Suplicy. Lançou Soninha, trabalhou no seu mandato… aí cansou. Rompeu com a ex-VJ, abriu o Studio SP. A casa lançou parte da nova safra da MPB, e Alê tornou-se referência em cultura e também na revitalização de áreas degradadas, como a metade centro da rua Augusta. Divorciado do PT e filiado ao PV, resolveu largar a zona de conforto e tentar ser deputado federal. “A política precisa ser menos careta, mais acessível pro pessoal que, por exemplo, foi ao Festival de Política da Trip, ano passado. E nossa geração precisa de representante que não seja filho de coronel. Mas não é fazer oba-oba, falar ‘sou jovem, vote em mim’. Tem que ter discurso fundamentado e proposta viável que represente esse grupo”.

Muita gente considera que você tem uma vida boa. Por que encarar o Congresso?

Tem a ver com vocação. Tinha vergonha de assumir pra mim mesmo, pra família e amigos que na verdade gosto de política. Faço parte de uma geração que se desiludiu, passou a repugnar política. Sonhos e coisas fundamentais pra essas pessoas saíram da pauta. E o curioso é que foi esse mundo em que estou, do Overmundo [Youssef é um dos fundadores do site], do Studio SP, parte dessa “vida boa”, que me estimula a voltar pra política convencional.

Como esse encontro entre as duas realidades aconteceu?

Iniciativas como os grafites – eu tinha que brigar na prefeitura pra conseguir espaço – hoje estão no Masp; o skate, que também ajudamos na coordenadoria da juventude, se consolida como geração de renda, profissão; tem ainda a revitalização urbana, a ideia de que a arte e a cultura alternativa podem transformar cidades. E teve o Festival de Política da Trip, um divisor de águas pra mim. Foi bem bacana, tinha mil pessoas no Studio SP em um domingão de sol com Fórmula 1 e Brasileirão, mostrando um refluxo contrário à ideia de que “odiamos política”. Tudo isso reaproximou a política dessa realidade que estou vivendo. Aí vieram a Marina Silva e o Fernando Gabeira e me estimularam a sair candidato a deputado federal pelo PV.

E como vai ser sua campanha?

Quero basear no voto de opinião. Só vai dar certo se cada proposta for debatida, coerente, porque será uma campanha focada em uma massa crítica. Primeiro, a transparência. Tenho um projeto chamado Mandato ao Vivo, para transmitir pela web o gabinete, reuniões, os processos… Vão ver a merda que é o Congresso? Vão. Mas pelo menos a pessoa vai ter a certeza de que seu representante faz alguma coisa diferente.

Essa é a forma de ação, mas o que você pretende defender em Brasília?

Tem a bandeira da economia criativa, quero propor um enorme estudo pra quantificar o quanto a arte, a cultura, a publicidade, a música etc podem impactar na economia da cidade, do Estado, para serem ponta de lança do desenvolvimento; Tem o direito da mulher sobre seu corpo, sou a favor da descriminalização do aborto; Outro assunto é o direito ao casamento e à adoção gay. Também sou favorável. São temas que estão no Congresso mas que, na hora H, todo mundo foge, porque é eleito por base conservadora. Temos ainda que discutir o novo estatuto das drogas, se descriminaliza a maconha, diferencia usuário e traficante… São questões pontuais que têm a ver com essa geração. Pôr esses temas na pauta é reaproximar essas pessoas da política.

Seu nome ainda é associado ao da Soninha, mesmo com vocês afastados…

No final do governo, Marta me convidou pra ser candidato a vereador, mas eu não queria, e convidei a Soninha. Coordenei a campanha e trabalhei no começo do mandato. Quando decidi dar a guinada cultural, abrir o Studio SP e tudo mais, saí. Depois ela saiu do PT e foi pro PPS, mas não a julgo por isso. Só me afastei mesmo porque não concordei com a opção dela de se tornar subprefeita do Kassab, aprofundar a relação com uma prefeitura muito careta, conservadora. Se por um lado ela representou a possibilidade de engajar essa geração, por outro, foi o contrário, entenderam que ela se institucionalizou. Isso pra minha campanha é uma tragédia. Tenho medo de falarem: “o cara vai ser mais uma Soninha, vai entrar e depois fazer o jogo dos poderosos, ser mais um”.

Como fica o fato de Marina, evangélica, ter reservas a temas como a união civil gay?

A Marina tem suas crenças e todos devem respeitar. O importante é que ela tem noção de que o Estado é laico. O que isso significa? Que governará sem levar em conta suas crenças. Por isso não há constrangimento em apoiá-la e defender as bandeiras que defendo.

Se Marina não chegar ao segundo turno, em quem você vota?

Mesmo difícil, acredito muito que Marina vai mobilizar corações e mentes. Então meu voto no segundo turno vai ser Marina.

MARINA DESTACA O TRABALHO DE ALE NA ASSINATURA DO PACTO PELA JUVENTUDE

Marina destaca o trabalho de Alê na assinatura do pacto pela juventude. Segundo a candidata à presidência pelo PV, Alê é o candidato que melhor pode representar os interesses dos jovens no Congresso Nacional.

O VOTO DE OPINIÃO

Nada como entrar na arena de uma campanha eleitoral para ter um panorama real e sem firulas sobre política, eleições e democracia. Minha campanha para deputado federal está me ensinando muito e a maior lição tem a ver com um assunto que já abordei diversas vezes em minha coluna na Revista Trip: o voto de opinião.

Vivemos um ciclo vicioso que está aniquilando a participação política dos chamados formadores de opinião. Hoje em dia, no Congresso Nacional encontramos cada vez menos representantes dos setores mas reflexivos da sociedade. Grande parte da elite cultural, simplesmente parou de participar do processo.

Explico melhor: o vazio ético e o pragmatismo exagerado do PT e do PSDB que tomaram conta da política nos últimos 16 anos, criaram uma rejeição tão impressionante, que conquistar o voto de opinião para eleger um deputado, virou tarefa muito árdua. As pessoas parecem não ter a menor vontade de se envolver na política. Em São Paulo, o empreendedorismo típico do nosso povo e uma sensação de que essa parcela da população pode viver bem através do fruto do seu trabalho, independentemente de quem esteja no Congresso Nacional, criaram zonas de conforto praticamente intransponíveis e fizeram muita gente riscar a política da agenda.

Mesmo setores importantes da mídia que costumam denunciar os abusos dos políticos e outros mais descolados que pregam a busca por um outro estilo de vida e açoes coletivas e de bem estar, passam ao largo do processo eleitoral, como se o resultado das eleições não tivessem nada a ver com a própria natureza de seus trabalhos. Preferem adotar posturas imparciais, sem destacar projetos diferentes e alternativos ao atual modelo político falido.

E quem ganha com esse cenário? O político picareta, que não está nem um pouco preocupado com os formadores de opinião ou com a mídia. Elegem-se às pencas, com seus currais eleitorais, lideranças comunitárias compradas e muita grana de empresas lobistas.

Lembro nas últimas eleições para o Congresso do espanto com os mais votados: Maluf, Frank Aguiar, Clodovil, Russomano etc. Começo a me preocupar de ver o filme se repetir, com Kiko do KLB, Vampeta, Marcelinho Carioca, Tiririca e afins.

Optei por uma campanha sem ferir a lei cidade limpa – apesar da justiça eleitoral ter liberado – sem aceitar dinheiro de lobby, nem fazer os esquemas tradicionais de aliciamento das comunidades mais carentes através de lideranças comunitárias compradas.

Vou seguir firme na convicção que o grande passo que podemos dar nessa eleição é contrariar os esquemas e fazer valer o voto de opinião, aquele que é dado por quem conhece suas propostas, acredita nas idéias e vai acompanhar e participar do processo ao longo do mandato. Só assim podemos começar a pensar em mudanças estruturais na nossa política. É a opção programática no lugar da ação pragmática.

A boa notícia é que se der certo, outras boas cabeças vão perceber que é possível fazer algo decente e bacana na política e nas próximas eleições, muita gente boa pode querer entrar na arena depois de mim.

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Roberta Youssef

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No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Roberta Youssef.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Daniel Ganjaman

No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Daniel Ganjaman.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Simoninha

No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Simoninha.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Ricardo Young

No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Ricardo Young.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Tiê e Thiago Pethit

No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Tiê e Thiago Pethit.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Fábio Feldmann

No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Fábio Feldmann.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Jeferson De

No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Jeferson De.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

FESTA DE LANÇAMENTO no Studio SP

A festa de lançamento da campanha aconteceu na terça-feira, dia 03 de agosto, no Studio SP. Compareceram ao evento o presidente estadual do PV, Maurício Brusadin, os candidato a senador Ricardo Young e ao governo do estado Fábio Feldmann, além de importantes apoiadores do Alê como Raí, Wilson Simoninha, Léo Madeira, Xis, Leandra Leal, Rita Wainer, Daniel Ganjaman, Bárbara Thomaz, Miranda Kassin, André Frateschi, Guga Stroeter, Helio Flanders, Beto Lago, André Fischer, Lúcio Ribeiro, Tatá Aeroplano, Tiê, Thiago Pethit, Jeferson De, Luiz Thinderbird, Plinio Profeta, Renato Godá, entre outros. Confira as belas fotos do grande amigo e colaborador da campanha Frâncio de Holanda.

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Xis

No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Xis.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Raí

No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Raí.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Hélio Flanders

No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Hélio Flanders.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

PROGRAMA TRANSPARÊNCIA RADICAL com Alê Youssef

No programa ágil e simples que mostra a campanha do Ale Youssef para
Deputado Federal e é uma prévia do que poderá acontecer em seu
mandato, bate-papo com Ale Youssef.

Fonte: Blog “Bola & Arte”

QUEM QUER SER POLÍTICO?

Em coluna de maio 2009 na Folha de São Paulo, Gilberto Dimenstein alertava e tocava no ponto crucial que sempre tratamos nesse espaço: não existe estimulo para que os jovens procurem ocupar espaços na política brasileira. Segundo pesquisa do datafolha apresentada pelo jornalista, 74% dos jovens não tem nenhum interesse por política. O dado é estarrecedor. Gilberto também exalta algumas ações importantes que bons políticos conseguiram desenvolver nos últimos anos. Segundo ele, seria muito importante a divulgação dessas ações para a juventude perceba que existem bons exemplos de caminhos a ser seguidos na vida pública. Vale a leitura e a reflexão. Coluna abaixo:

GILBERTO DIMENSTEIN

Quem quer ser um político?


Como poderemos ter uma democracia representativa se a elite do país não se interessa pelos partidos?


NA QUARTA-FEIRA passada, o rapper Afro-X cumpriu seu último dia de uma pena de 14 anos -sete deles no Carandiru e o restante em liberdade condicional- por assalto à mão armada. Comemorou a data lançando uma autobiografia, intitulada “Ex-157″, para tentar explicar como um jovem é seduzido pelo crime. Entre as inúmeras razões, segundo ele, destaca-se o político brasileiro. “Eles transmitem a sensação de que o crime compensa. São tantas as acusações e parece não acontecer nada.”
Afro-X escreveu o livro para mostrar que, pelo menos para os pobres, a criminalidade invariavelmente acaba em três “C”s: cadeia, cadáver ou cadeira de rodas. “Quando entrei para a bandidagem, tinha certeza de que, com minhas armas e dinheiro, sempre ia me safar.”
Uma pesquisa realizada pelo Datafolha no ano passado mostra que essa visão é disseminada em toda a juventude brasileira, rica ou pobre -e acaba provocando um descrédito à democracia, ojeriza à política e até tolerância com a desonestidade. Na visão dos brasileiros entre 15 e 25 anos, a desonestidade, segundo o Datafolha, está em primeiro lugar, empatada com a violência, na lista dos maiores problemas brasileiros. Vence, com folga, o desemprego e a miséria.

Essa pesquisa é especialmente valiosa diante da enxurrada de notícias sobre desvios que se acumularam nas últimas semanas. Quanto menor a mazela, mais compreensível pelos cidadãos -e, por isso, gera ainda mais indignação. Misturam-se num só saco abusos com passagens áreas que envolveram de Adriane Galisteu a Fernando Gabeira, em meio a denúncias de que gabinetes de parlamentares negociavam bilhetes como se fossem agências de viagem.
Revelou-se que estudantes de famílias ricas foram beneficiários das verbas do Prouni -algumas delas teriam carros importados. Um ministro é acusado de ter um motorista particular pago pelo Senado; um deputado manteria sua empregada doméstica na folha de pagamentos da Câmara. Para completar, o presidente do Supremo Tribunal Federal é acusado, em atrito durante uma sessão transmitida ao vivo, de ter capangas em terras do interior do país.

Todas essas notícias, recorrentes há tantos anos, ajudam a explicar a mais trágica das respostas dos jovens ao Datafolha: 74% não têm “nenhum” interesse em participar dos partidos. Outros 18% disseram que teriam “pouco” interesse.
A pergunta óbvia: como poderemos ter uma democracia representativa se a elite do país não se interessa pelos partidos? Se a percepção dos jovens, como demonstra a pesquisa, é a de que a atividade política está atolada irremediavelmente na lama, quem se interessaria em ser deputado ou senador? Talvez aqueles interessados em tirar proveito da vida pública? Entraríamos num círculo vicioso em que os honestos não fazem política porque seria um campo dominado por ladrões -mas, sem os sérios para ameaçá-los, os picaretas não correriam risco de perder suas vagas.

Estamos metidos num impasse que apenas um segmento pode liderar: os próprios políticos. Mas, por enquanto, pouca gente, especialmente jovem, parece disposta a ouvi-los.

PS – Morei 13 anos em Brasília, onde vivem os bastidores da política. Não acredito que a situação esteja pior do que antes. Não é a política que ficou mais ou menos desonesta, mas o país que ficou mais atento.
Disseminaram-se, em todos esses anos, vários mecanismos de controle, ampliados pelas novas tecnologias de informação. Antigamente, havia diversos orçamentos, com imensa liberdade de ação ao Executivo.
A farra dos bancos oficiais e das estatais era várias vezes maior do que hoje -até porque havia mais bancos e estatais. O Ministério Público só ganhou poderes, de fato, na democracia. Criaram-se marcos históricos como a Lei da Responsabilidade Fiscal. É muito mais fácil hoje acessar, destrinchar e divulgar detalhes das contas públicas.
O sistema democrático fez muito mais para controlar os recursos públicos, denunciando e até punindo falcatruas, do que o regime militar. Foi nesse ambiente que se conseguiu compatibilizar liberdade, estabilidade econômica e crescimento com um início de distribuição de renda.
Essa parte da história, feita por políticos sérios, também precisa ser contada, para que os mais jovens não desacreditem da democracia e da política.

O MAPA DO GRAFFITI

A matéria publicada hoje na Ilustrada da Folha de S.Paulo mostra que já existem em São Paulo passeios para visistação dos mais importantes pontos de grafite da cidade.

Arrisco dizer que muitos turistas, principalmente estrangeiros, vem a São Paulo para conhecer essas rotas e nossa maravilhosa arte urbana. Infelizmente esse segmento ainda é muito informal e carece de um acompanhamento de impacto econômico, mas qualquer pesquisa séria nesse sentido mostraria a importância estratégica dessa arte para a cidade.

Quando fui Coordenador de Juventude no governo Marta, realizamos diversos projetos de apoio ao grafite. Trabalhamos com Osgemeos – que na época eram desconhecidos do público – Rui Amaral, Juneca, O Aprendiz, Choque Cultural, entre outros. O maior projeto do período foi o São Paulo Capital Grafitti, que gerou mais de 1.000 muros com essa arte pra cidade. Acredito que esse trabalho tenha sido o estopim de tudo o que aconteceu depois e contribuiu principalmente com o reconhecimento dessa arte pela própria cidade.

Durante o governo tentei criar o MAPA DO GRAFITE. Claro que no período existiram muitas resistências pois a consciência artística sobre a importância da arte urbana ainda era muito pouco consolidada. Mas acho que hoje já temos condições de pensar seriamente nisso, afinal de contas, temos a cultura enraizada, gritaria quando os órgãos públicos de limpeza apagam obras e apoio da grande mídia. Condições ideais.

Alô alô Prefeitura! Alô Secretaria de Cultura! Vamos sair da mesmice e fazer algo realmente inovador pra cidade?

Na foto, a polêmica e grande obra de Osgemeos na ligação leste/oeste. Maior painel de grafite de São Paulo, que fiz com a dupla quando estava na Prefeitura.

Abaixo a matéria:

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Turistas exploram grafites de São Paulo

Obras de Rui Amaral, osgêmeos e Zezão são comentadas em passeio

Além de explicar técnicas e contar histórias do grafite na cidade, roteiro turístico apresenta obras de artistas novos e consagrados

FERNANDA EZABELLA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Dégradé, jogos de luz e sombra. A guia turística aponta para as pinturas, chama atenção para assinaturas e técnicas. Não estamos num museu, muito menos vendo quadros. São grafites na avenida Doutor Arnaldo, zona oeste de São Paulo.
Entre buzinas e ônibus barulhentos, o grupo de dez turistas atravessa a pé o bairro de Pinheiros, em direção à Vila Madalena, caçando desenhos com ajuda da guia Yara Amaral, 26, mais conhecida como Yá!, grafiteira há seis anos e ex-aluna de artistas famosos do movimento, como Zezão e Boleta.
“A ideia é sensibilizar o olhar para a cidade”, explica Leandro Herrera, sócio-fundador da Soul Sampa, agência de turismo que organiza passeios temáticos pela cidade e, desde abril, começou a explorar a fama do grafite paulistano, assim como outras duas empresas (leia mais no quadro à dir.).
Pelos 5 km de asfalto, surgem trabalhos de artistas mais conhecidos, como Titi Freak e Rui Amaral, além de nomes da nova geração, como Zito, que mistura grafite e fotografia numa obra localizada sob a ponte da r. João Moura. Yara também fala das gangues de pichadores, como os coletivos Vicio e Sustos, e suas filosofias de rua.
Num “grapicho” -mix de grafite e pichação- na rua Cardeal Arcoverde, por exemplo, letras em tons de azul e contornos elaborados fazem mistério sobre o que, afinal, estaria escrito ali. “Às vezes nem a gente entende”, diz Yara sobre o desenho pintado em 2008, provavelmente de forma ilegal.
“Da mesma forma que os intelectuais criam uma linguagem que ninguém entende, eles [grafiteiros, pichadores] criaram a deles. Eles marginalizam quem os marginaliza.”

Beco do Batman
Enquanto a turma caminha com suas câmeras fotográficas, Leandro e um colega ficam de olho para ninguém ficar para atrás. O grupo é composto só de mulheres, todas estrangeiras, que moram ou estudam no país. O passeio dura cinco horas, incluindo um workshop de spray ao final e pausas para almoçar e tirar fotos, especialmente na escadaria da rua Cristiano Viana e no Beco do Batman, uma longa viela de paralelepípedos na Vila Madalena, ambos locais tomados pelos grafiteiros desde os anos 80.
Do grupo de americanas, argentinas e europeias, todas querem ver osgêmeos, dupla formada pelos irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo, que expõe em galerias de arte mundo afora e é reconhecida pelos desenhos de bonecos amarelos.
Mas nenhuma delas consegue identificar a assinatura elaborada em amarelo que encontramos pelo caminho, no alto de um muro. O “bomb” -letras sem muitos detalhes, só com contorno e preenchimento- foi feito neste ano pelo coletivo Vidaloka, do qual os dois participam, e, se olhado com calma, quer dizer “osgêmeos”.
“Por mais que eles estejam nas galerias, eles continuam pintando nas ruas”, explica Yara. “Sempre passo por aqui e vejo esse negócio, mas nunca imaginei que fosse dos gêmeos”, comenta uma turista.
Zezão, famoso pelos tubos azuis que pinta nos subterrâneos da cidade, também surpreende com um mural pintado no Beco do Batman, repleto de nuvens de fumaça colorida em spray e estêncil, coisa que só os mais entendidos, como sua ex-aluna, reconhecem.
“É uma maneira diferente de descobrir o bairro, um passeio divertido e sério”, disse a francesa Erwane Kaloudoff, 36.

SHOREDITCH AUGUSTA

Quando Julia Roberts e Hugh Grant estrelaram o mega hit “ Um lugar chamado Notting Hill” não imaginavam o impacto urbanístico que o filme causaria. O bairro em West London era o local preferido dos artistas da cidade que habitavam  a região atrás de aluguel barato e bombação cultural.  Desde o final do anos 70, moraram por lá bandas como The Clash, Sex Pistols e grande parte da cena punk inglesa. Pela famosa Porto Bello Road circulavam descolados, intelectuais, fashionistas e todo tipo de gente interessada em nova arte.  Mas, como em todo lugar hype, após algum tempo, os melhores bares foram comprados por grandes investidores, clubes novos e mais caros abriram e os alugueis subiram de preço. Roberts e Grant deram o golpe final deixando mundialmente famosos  cada detalhe do bairro, repleto de lojinhas, mercadinhos de rua e muito charme.
A migração da vanguarda cultural para outro lugar com preços  acessíveis e liberdade artista foi inevitável e ao contrário da famosa música do caricato grupo americano YMCA, a galera antenada apontou a solução: go east!  E foi justamente para o leste da cidade que foram, em direção à Hackney, grande área, mais pobre, repleta de imigrantes  e com pouca agitação.
Em Hackney, os modernos e bacanas encontraram  London Fields, local calmo ao redor de um parque com mesmo nome, Dalston, bairro  predominantemente negro com um famoso mercadão popular e Shoredith, região decadente porém de fácil acesso, cheia de antigos imóveis disponíveis. E foi justamente a partir desse local,  no miolo formado pelas ruas Great Eastern  Street, Shoreditch High Street e Old Street que Londres explodiu para se tornar o templo da nova arte mundial.
Em 10 anos, os órfãos de Notting Hill transformaram Shoredith e arredores no lugar mais quente da cidade. A área é decorada pela arte do já lendário artista Banksy (imagem acima) – morador da região e espécie de símbolo da transformação da cidade. Sua arte é hoje o principal retrato da nova Londres e nos camelos e lojinhas de suvinier,  vende-se mais camisetas com  reproduções dos muros de Shoreditch pintados por Banksy, do que com a bandeira da Inglaterra ou com a cara do Syd Vicious.
Clubes  e bares como 333, Cacth 22, Shoreditch House, The Fouder, Jaguar Shoes, Charlie Whigth, a maioria com entrada gratuita criam um enorme fluxo de pessoas na região em busca da melhor festa.  O Macbetth, bar de música ao vivo onde assisti Max Tundra numa festa da Domino Records, promove shows diários e sempre lota com novidades. A credibilidade da casa é tanta no circuito, que bandas como Gang of Four costumam fazer shows surpresas no local. O Cargo, clube onde Gilles Petterson fazia sua famosa residência, se notabilizou por trazer gente do mundo todo para shows – muitos representantes da cena undergroud brasileira passaram por lá. The Old Ax, com seu sensacional after hours rockabilly e Aquarium com house esticam a noite até de manhã. Workers Men’s Club domina a emergente e agitada cena de Burlesque na cidade e o engraçado Joiners Arms, boteco gay fashion que virou o hit do momento e faz o fim de noite mais animado, juntando gente de todos os pontos da cidade.
É no coração de Shoredith que está o Favela Chic, principal marca brasileira no mundo quando o assunto é noite. Sempre antenados,  Rosane, Jerome e Daniela, sócios da casa, sacaram a movimentação da área desde o começo e fincaram a bandeira brasileira no coração da vanguarda mundial, com as famosas noites de discotecagem eclética e de bom gosto do DJ Gringo da Parada, alem de ótimos shows. A ferveção está tão grande que a festa Swap do Favela Chic  (onde as pessoas trocam de roupa umas com as outras) criou um novo conceito de noites na cidade, chamadas pelo The Guardian de Social Parties.  O que já era sucesso em Paris, caiu como uma luva em Londres.
Em Hoxton Saquare, simpática e bombada praça da área, destaca-se o Hoxton Bar & Kitchen, antigo cinema transformado em um ótimo clube de rock e o Bluu, clube onde Bjork cantava nas noites do seu ex marido, o DJ Gold. Os dois clubes ficam ao lado da White Cube, pequena e hypada galeria  de arte contemporânea, que abre em muitas noites.
Os arredores de Shoreditch em Hackney também são muito movimentados. A Brick Lane Road é famosa por seu mercado de rua que rola todos os finais de semana e suas lojas vintage. É lá que acontece uma vez por ano o Brick Lane Music Festival, momento especial onde clubes e bares se juntam pra promover shows e DJs sets voltados pra rua. Ótimos artistas costumam se apresentar. Nesse ano, o destaques foram Greg Wilson, DJ Vadim e sua live band e a novíssima banda Kissy. Pertinho e integrado ao festival fica a sensacional e enorme Trumam Brevery, antiga cervejaria, que como é propriedade privada, loca espaços para clubes, bares e galerias de arte sem as burocracias das licenças municipais, o que possibilita uma grande liberdade de expressão para o local. Os destaques da área são o Vibe Bar e o Big Chill. Tudo isso acontece ao lado do famoso Spitalfields Market, onde a nova moda e o melhor da arte urbana são vendidos.  Lá, ainda é possível  achar originais de Banksy. Na mesma área, na Columbia Road, onde todo domingo rola o Flower Market, simpáticas lojinhas e restaurantes convivem com muitas galerias. Destaque para a Nelly and Duff, espécie de Choque Cultural deles, onde se encontra à venda arte dos brasileiros Speto, Zezão e Titi Freak.

Obviamente os sinais de aumento de preço e grandes negócios acontecendo em decorrência da explosão cultural do bairro, fazem o ciclo fechar e já começa a se criar um outro fluxo migratório. Para a maioria dos entendidos, o bairro de Dalston, logo ao lado, deverá ser o próximo Shoreditch.
Quando a Vila Madalena, nossa Notting Hill, se viu invadida por grande negócios, bares estilizados, clubes de musica comercial e virou até novela da Globo, a vanguarda artística paulistana, que tinha no bairro seu grande  ponto de referência,  apontou para o centro. Bairros como Santa Cecília, Bela Vista, Bexiga e Consolação viraram as opções principais de moradia. O mesmo fizeram os jovens empresários, produtores culturais e promotores de festas que iniciaram negócios e projetos por lá.
O  que antes era abandonado, deteriorado e esquecido, agora é moderno, hype e valorizado.  Quem desce da Avenida Paulista até a Praça Roosevelt encontra uma cidade diversa, alegre e democrática. Várias galerias de arte, bares, clubes, casas de shows, restaurantes, companhias de teatro, coletivos de arte estão espalhados pela Augusta, Bela Cintra,  Frei Caneca, Fernando Abuquerque, Pedro Taxi, Praça Roosevelt, Hadoock Lobo e outras ruas.
São Paulo precisa se assumir. Sua noite, cultura jovem e vanguarda artística devem ser valorizadas de uma maneira estratégica para que turistas de todo mundo venham ver o que estamos fazendo, e novos empregos e oportunidades possam ser criados nessa economia da noite e da criatividade que não para de crescer.
Podemos começar estampando as obras de Osgemeos em camisetas para serem vendidas nos camelos e nas feiras. Camisetas com pixações também fariam sucesso! E o poder  público poderia deixar de financiar grandes obras inúteis como as da Cracolândia – que continua com ruas desertas e repletas de pedras – e pensar de uma maneira mais integrada com as pequenas iniciativas privadas que transformam um lugar de baixo pra cima, de forma orgânica e em parceria com a população local.  O terreno dos Matarazzo poderia virar nossa Trumam Brevery, e demorou para acontecer o Baixo Agusta Music Festival, com com Studio SP, Inferno, Outs, Sarajevo, Sonique, Funhouse, Aloca, Vegas, Exquisito, Geni, Boca, Tapas, Carniceria, Volt e tantos outros abrindo as portas em uma tarde de domingo, de graça.
Incentivar pequenos negócios baseados na arte de vanguarda e no comportamento jovem é a melhor maneira de se transformar a cidade, revitalizar regiões deterioradas e buscar a valorização da verdadeira vocação cultural de grandes centros urbanos . Em São Paulo estamos vivendo isso na região do Baixo Augusta e garanto que do ponto de vista de produção cultural e agitação não devemos nada à capital inglesa. Apesar de não receber qualquer apoio ou planejamento  do poder público, a área esta cada vez mais viva e aponta para um futuro muito parecido com o que aconteceu em Shoreditch e arredores.  E que outras Augustas surjam no futuro!

O OUTRO VÍCIO DA CRACOLÂNDIA

Quem não leu ou assistiu nos últimos anos alguma matéria grande sobre a revitalização da Cracolândia? Pelo menos uma vez por semestre o governo lança projetos habitacionais, evacua hotelzinhos usados pelos dependentes, lacra estabelecimentos irregulares  e promete dar vida à região.  Sob flashes e câmeras de TVs, os políticos mostram maquetes de grandes teatros, mega museus, hiper centros culturais.  Fazem um estardalhaço danado. O papo é tão bom eu soube de alguns candidatos que ganharam uns votinhos  falando da transformação da área.  Quanta balela.
Com a divulgação da terrível situação do tradicional colégio Liceu Coração de Jesus – que desmorona junto com a região – o tema voltou à baila. Ainda não vi nenhum dos sorridentes representantes públicos que tanto falaram da Cracolândia em suas trajetórias políticas, se manifestarem sobre o tema.
A verdade é que nada do que foi anunciado deu certo! Os fantásticos empreendimentos culturais construídos, são freqüentados por uma elite que passa pelo bairro dentro de carros blindados, os  incentivos para implantação de escritórios e comércio na área foram pífios e o pior: a região continua cheia de pedras de crack e usuários dependentes definhando pelas  calçadas.
Não há revitalização sem gente ocupando espaços, andando pelas ruas,  dando vida aos locais. Não acredito que a construção de um elefante branco qualquer vá gerar esse tipo de situação. Além disso, acho que a vocação de São Paulo é revitalizar através da agitação cultural, que cresce tanto na cidade. E essa agitação é feita pela vanguarda da cultura, novos artistas e produtores de cabeça aberta para o novo . Eles deveria ser os primeiros a serem envolvidos no processo.
Enquanto milhões de reais são torrados na Cracolândia sem qualquer resultado prático, outras regiões da cidade se reinventam com as próprias pernas sem um tostão do dinheiro público. O melhor exemplo está no Baixo Augusta, onde centenas de novos empreendedores e seus negócios  voltados para a vanguarda cultural, deram vida à região, geraram empregos, atraíram gente e estão mudando a cara de uma área que era totalmente desvalorizada.
Quando se difunde a vontade de transformação, de baixo pra cima, sem grandes soluções mágicas, mas com muita capilaridade e parceria com a população local, os resultados aparecem. A Cracolândia poderia ser um modelo desse tipo de ação. Rapidamente se transformaria numa espécie de centro de arte contemporânea da cidade, com ateliês, galerias, bares etc. Tudo integrado com o Parque da Luz e aquelas maravilhosos espaços públicos, que hoje só servem para milionários fazerem casamentos luxuosos.
De duas uma: ou os governos ignoram completamente o que está acontecendo em locais como o Baixo Augusta e Barra Funda, ou não conseguem fazer nada que não seja grande, mega, hiper, que custe muito caro e apareça bastante, mesmo que não sirva pra nada. Existe outro vício que acaba com a Cracolândia, e ele vai além do crack. É o vício de políticos por obras faraônicas e nomes em placas de inauguração.

SÃO PAULO PRECISAVA DE UM CHOQUE

A exposição DE DENTRO PRA FORA/DE FORA PRA DENTRO, organizada pela galeria Choque Cultural no MASP, foi uma das maiores conquistas políticas das novas gerações e prova que existem formas alternativas de se transformar a realidade, fugindo dos padrões convencionais da caretice burocrática.

Artistas, produtores de cultura, empresários antenados, publicitários arrojados, skatistas, jornalistas e outros setores simpatizantes à causa da valorização da arte de vanguarda, estavam celebrando uma conquista coletiva de uma batalha onde grande parte dos presentes tiveram papel relevante.

Quando fui Coordenador de Juventude da Prefeitura e entrei nesse movimento desenvolvendo projetos como São Paulo Capital Grafitti, ocupação oficial do túnel da paulista, os mega painéis dos OsGêmeos , as oficinas de grafite nas Casas de Cultura e os festivais que valorizavam essa arte – Agosto Negro, Fala Mano, Hip Hop Rua, entre outros – não imaginava, mesmo com toda a movimentação criada, conseguir romper naquele momento barreiras do pensamento conservador e emplacar, por exemplo, a tão simbólica exposição da nova arte no MASP.

Ao entrar no museu e ver aquele espaço repleto de gente (mais de 2 mil pessoas passaram pelo primeiro dia de exposição) e ocupado por uma arte linda e transgressora tive uma sensação de vitória e pude perceber que o mesmo sentimento era compartilhado por todos os presentes.

Ao mesmo tempo, depois de quase 10 anos participando ativamente de todo esse processo não deu pra deixar de pensar que demorou muito para isso acontecer. O MASP estava às moscas. Repleto de problemas administrativos, dívidas e disputas políticas. Além disso, nosso ícone da arte estava completamente desconectado com a modernidade e com as novas gerações.

Apesar da alegria e da satisfação que sentimos na exposição deu pra perceber que com o tempo o Museu passou a precisar mais dos novos artistas do que o contrário. E isso é a completa tradução do momento que vivemos na cidade de São Paulo, onde todos esses movimentos de vanguarda se viabilizam com as próprias pernas e com a força da representatividade que exercem naturalmente.

No mesmo momento em que a Choque sai de seu sobradinho em Pinheiros e encanta a Avenida Paulista, OsGemeos batem recordes de público na FAAP e a revista Veja São Paulo expõe para a “cidade oficial “ nosso Baixo Augusta.

O próximo passo é tudo isso ser percebido e valorizado pelo poder público, que deve passar a considerar essa verdadeira revolução cultural que acontece de baixo pra cima, como uma das coisas mais importantes dos últimos anos e capaz de revitalizar a cidade como nenhum banqueiro, CEO de multinacional ou mega empreendimento imobiliário jamais conseguiu fazer. Zezão, Titi Freak, Carlos Dias, Daniel Melim, Ramon Martins, Stephan Doitschinoff e tantos outros são os símbolos de uma nova cidade, assim como Banksy é símbolo da nova Londres.

Talvez, ocupar o MASP, sair na Veja e outras representações simbólicas que dialogam com a elite cultural e política sejam escalas necessárias para que isso tudo seja definitivamente compreendido. Mas não deveria ser assim.

Parabéns Baixo Ribeiro e todos da galeria. Vocês deram um Choque na cidade. De fora pra dentro!

Na foto, obra de Carlos Dias.

MILK AQUI

Recentemente assisti pela terceira vez o filme MILK, que conta a história do primeiro gay a se eleger a um cargo público nos Estados Unidos. Ativista de vanguarda, Harvey Milk – interpretado brilhantemente por Sean Pen – liderou uma verdadeira revolução em São Francisco, despertanto o interesse político em pessoas absolutamente alienadas e excluídas do sistema, lutando por direitos civis, desbancando preconceitos e criando um jeito diferente de fazer política. Baseado em Castro, bairro decadente que abrigava imigrantes e loucos, Milk conseguiu usar todas as expressões comportamentais do universo gay e canalizá-las brilhantemente para um movimento de afirmação e um projeto de poder que se mostrou possível.

Para quem vive no turbilhão da recente explosão da cultura alternativa de São Paulo e, mais especificamente, respira o dia a dia do Baixo Augusta – nome que escolhemos para identificar o trecho em torno da famosa Rua que liga a Avenida Paulista à Praça Roosevelt – impossível não  identificar semelhanças com o ambiente retratado no filme. Assim como Milk e seus amigos sofreram violência, resistência e foram privados de direitos pela sua opção sexual, todos os grupos de comportamento que frequentam o Baixo Augusta convivem à margem do sistema político e são ignorados pelo poder público. Como escrevi nesse blog, os jovens e novos protagonistas da cidade, que deram a ela o brilho e a beleza que nenhum banco, mega empresa ou empreendimento imobiliário conseguiu dar, encaram uma cidade que ignora solenemente o potencial humano e econômico da sua noite e da sua diversidade cultural. Os orgãos públicos insistem em dificultar licenças para funcionamento de bares e clubes, muitas vezes tomam medidas arbitrárias e violentas, criam dificuldades para vender facilidades e permancem distantes dos movimentos culturais e urbanos. O governo olha a cidade de cima pra baixo e não presta atenção nas suas epecifidades, no molho que da o sabor da verdadeira São Paulo. Uma vez por ano, fazem a Virada Cultural, evento bacana mas isolado de uma política estruturada de valorização da vocação maior da cidade.

Vale repetir um conceito que venho falando: toda uma geração está chegando ao poder econômico, judicial, criativo etc. Entretanto, não temos referência dessa escalada social em termos políticos. Os escândalos, a caretice, a imobilidade e todos os outros defeitos que sabemos serem inerentes à política, afastam os jovens dela. Não existe renovação e não temos qualquer sinal de mobilização de massa crítica qualificada em busca de um projeto de tranformação das instituições e de conquista de corações e mentes para tornar a política mais moderna e antenada aos anseios da nova geração. Assim como parte da geração de 60 e 70 se mobilizou contra a ditadura, é preciso que pessoas agora se juntem por uma tranformação comportamental da política e por valores fundamentais como transparência, simplicidade e cabeça aberta para o novo.

Andando ontem pela Augusta, pensei muito nisso. Lembrei de Milk e do Castro, das fachadas das lojas meio detonadas, dos grafites nos muros, dos tipos circulando pela área. A cidade bomba no seu underground e desse universo precisa ser canalizado um movimento de mudança, respeito às diferenças e valorização da cidade. Não podemos mais ver os mesmos tubarões de sempre se elegendo às custas da nossa indiferença e dos seus currais eleitorais comprados por caminhões de dinheiro dos poderosos e conservadores de plantão.

Que o Castro inspire o Baixo Augusta!

CIDADÃOS 365 DIAS POR ANO

A política como conhecemos hoje pode ser, muito em breve, um retrato embolorado na parede. E o político profissional, um desempregado irremediável, com saudade dos “bons tempos” pré-internet. Não, essa não é a última do admirável mundo novo. É a opinião de alguém que o acompanha com olhos de cientista: o sociólogo italiano Massimo di Felice. Doutor em Ciências da Comunicação, especialista em mídias digitais, ele leciona Teoria da Opinião Pública na Escola de Comunicação de Artes da USP. Acredita que a humanidade vivencie neste momento algo tão grandioso quanto o surgimento da prensa de Gutenberg no século XV: é o tempo em que a web vai levar ao desaparecimento do tipo de política e de político que existem hoje.

GALERIA: Qual é o seu recado?

Para afirmar isso ele não leva em conta apenas a tecnologia em si, gelada em seus inesgotáveis twitters, orkuts e facebooks. Seu objeto de análise é a nova realidade que está nascendo daí, vertiginosa e quase silenciosamente. “A internet e as redes sociais online estão criando uma nova democracia e uma nova opinião pública.” O que é particularmente interessante em temporadas como esta, de caça à tal opinião pública empreendida pelos institutos de pesquisa que tentam medir os humores e os pendores eleitorais dos brasileiros.

Mas alto lá com os antigos conceitos, previne Di Felice. “Essa opinião pública  que está surgindo não quer ser chamada a opinar apenas de quatro em quatro anos. Ela participa, colabora, difunde ideias para mudar seu território cotidianamente. É cidadã 365 dias por ano. Está fazendo acontecer o que os políticos só prometem.” O efeito imediato disso – para as eleições presidenciais de outubro – será mínimo, ele reconhece, dada a predominância, ainda, da opinião pública televisiva no País. Mas no futuro será algo decisivo.

Na entrevista a seguir, Di Felice empreende um passeio pela história e o desenvolvimento da opinião pública e, otimista, explica aonde, agora cada vez menos analógica, ela pode nos levar.

O que é opinião pública?

É um conceito que nasceu com a substituição da sociedade feudal pela sociedade a contrato social. Nasceu com a destruição do modelo baseado no rei que era rei por ter sido colocado no trono por Deus (e, por isso, emanava leis inquestionáveis) e com o surgimento dos primeiros mercadores que deram origem à burguesia. Foi uma passagem econômica, social, cultural e política. A sociedade que nasce daí não é mais assentada em valores divinos, “justos”, e sim em códigos racionais, que tem mais a ver com a necessidade de organizar as coisas ao gosto da nova classe que ascende ao poder e vai fazer leis para defender seus interesses. Serão, portanto, leis “injustas”. Mas, como elas podem ser questionadas, afinal não vieram do poder divino do rei, haverá a necessidade de lutar para mudar tais leis. Nessa imperfeição está uma das características da sociedade a contrato social, que cria pela primeira vez a separação clara entre sociedade civil e Estado.

Então a opinião pública é filha da democracia moderna?

Ela é o alicerce da democracia moderna. Não é apenas a expressão dela, um instrumento a mais. Não há democracia sem conflito, sem opinião. E o que resulta dessa passagem do feudalismo para o mercantilismo burguês é uma sociedade dada ao conflito, a tal sociedade civil – um conjunto de indivíduos, grupos, etc., que se reúnem contra o Estado. Então, é nessa imperfeição que se desenvolve o conceito de opinião pública, não só como lugar de divulgação, mas de elaboração contínua de ideias. É fácil compreender o porquê disso. Com seu dinamismo econômico, a sociedade a contrato social necessita de transformações constantes de valores. Isso muda completamente o comportamento das pessoas, elas passam a valorizar as mudanças, o progresso, contra a estagnação pré-definida por seu nascimento, como ocorria no modelo feudal.

Esse conceito de opinião pública se mantém até hoje?

Ao longo da história ele foi contestado por uma porção de teorias, principalmente depois do surgimento da mídia de massa e do uso que o nazismo, o fascismo e regimes autoritários em geral fizeram dela. Isso levou muitos autores a pensar que a opinião pública era só um doutrinamento da população. Ela teria tão somente a opinião que o status quo quisesse que ela tivesse e manipulava para conseguir. Para esses autores, opinião pública é alienação. Por aí caminhou Adorno (Theodor Adorno, filósofo alemão), chegando a Bourdieu (Pierre Bourdieu, sociólogo francês), para quem a opinião pública simplesmente não existe. Ele dizia isso, na verdade, como provocação. Na França da época, anos 60/70, ele queria questionar o uso demagógico que se fazia das pesquisas de opinião. Todas as ações dos entes públicos e privados eram justificadas por pesquisas de opinião. E Bourdieu vem dizer que essas pesquisas não davam necessariamente a opinião das pessoas, davam a opinião que as pessoas tinham formado a partir do doutrinamento. Portanto, a opinião pública não existia.

E nos dias de hoje, ela existe?

Existe, mas de um jeito totalmente diferente. Na minha avaliação, a opinião pública muda de caráter de acordo com a tecnologia informativa de uma época. No tempo da oralidade, tínhamos os filósofos, os sofistas. Com Gutenberg e a sua máquina de reproduzir grande quantidade de páginas, surge a opinião pública dos tempos modernos, mais ampla, instigada a debater pelo acesso mais fácil ao conhecimento. Depois, a mídia de massa – jornais, rádios e TV – dá origem às democracias nacionais, à esfera pública do tamanho de uma nação. Afinal, a mídia de massa consegue atingir toda a população ao mesmo tempo. Aí chegamos aos tempos atuais, à internet. E a coisa vira de cabeça para baixo. A internet cria uma arquitetura informativa absolutamente distinta das anteriores e, mais do que isso, cria um novo tipo de democracia e um novo tipo de opinião pública.

Pode explicar melhor?

Com a internet, passamos da democracia opinativa para a democracia colaborativa, na qual todo cidadão é chamado não a mudar o mundo, a fazer revolução, nada disso. Ele é chamado a ter um impacto na sua realidade próxima. Se olharmos para o teatro grego, os livros, os jornais, o rádio e a TV notamos que o modo de transmitir as informações se manteve constante. O ator de teatro fala, o público ouve em silêncio; no final aplaude ou vaia, ou seja, opina. Na TV é a mesma coisa. Quando assistimos a um debate eleitoral os candidatos falam e nós acompanhamos tudo passivamente e depois vamos votar – opinar – sobre propostas e programas de cuja elaboração não participamos. É a democracia baseada na opinião. O cidadão é cidadão na medida em que ele opina de quatro em quatro anos. A internet inaugura um tipo de democracia qualitativamente diferente.

Como ela funciona?

Primeiro, a comunicação em rede é uma tecnologia que pela primeira vez disponibiliza não só o acesso a todas as informações como também possibilita que cada indivíduo crie conteúdo e poste esse conteúdo com o mesmo poder comunicativo dos outros meios. Tecnologicamente, um blog tem o mesmo poder comunicativo que a CNN. Isso está educando o cidadão não apenas a opinar, mas a criar debate e a discutir ideias que se espalham velozmente pelo mundo. São as chamadas redes sociais, redes de cidadãos que se reúnem por terem determinadas afinidades e passam a trabalhar online para transformar a sociedade pela proposição, discussão e implementação de ideias. Primeiro no seu território, sua rua, seu bairro, sua cidade, depois no país e mundo. Chamamos isso de net-ativismo. Não se trata de uma questão ideológica, de fazer a revolução com a ajuda da internet. Não é isso.

E que tipo de opinião pública está sendo gestada nessa era de net-ativismo?

Uma opinião pública que não quer ser só opinativa. Não quer só opinar com base numa pauta estabelecida pela mídia e pelos políticos. A rede está criando, de fato, uma nova realidade em que as pessoas se afastam cada vez mais da política partidária, do debate político profissional, porque acham que isso não resolve nada. Meus alunos têm total desinteresse pelas questões políticas tradicionais, mas de maneira alguma podem ser chamados de alienados, porque estão em redes sociais, integram grupos que trabalham com reciclagem de lixo, inclusão digital, acesso à informação. Estão tentando modificar o seu território 365 dias por ano. Eles são cidadãos o ano inteiro, não só a cada quatro anos. Para esse pessoal o voto é a última coisa na qual eles estão pensando. A lógica da web não é piramidal, não prevê um líder. A palavra-chave é colaboração. Assim, se há alguém que eles enxergam como representante, é necessariamente alguém que esteja nessas redes sociais desde sempre, discutindo, propondo, ajudando a levantar verbas para projetos. O que eu estou tentando dizer é que a política analógica é obsoleta, porque unidirecional. Podemos chamar isso de fascismo se adotarmos a etimologia grega da palavra “fascio”, que significa seta, algo que aponta, direciona. Estamos no caminho contrário. Pode levar 10, 20 anos, mas estamos indo claramente na direção de uma democracia totalmente colaborativa.

Essa nova ordem já deve influenciar as eleições deste ano?

Provavelmente não. Mas estou certo de que, nesta campanha presidencial, teremos surpresas vindas do mundo digital. A web será um lugar de desmascaramento. Esse movimento é maior do que imaginamos no Brasil. Um sinal claro disso é que já há no País mais gente usando a internet para acessar redes sociais do que para ver pornografia. Temos um curso de pós-graduação muito procurado por pessoas que vão trabalhar com marketing político. Os alunos perguntar a mesma coisa: “Como eu uso o Twitter para ajudar meu candidato a vencer a eleição?” Eu digo: “Você não pode. Se entrar com essa intenção a mesa vira sobre você”.

Por quê?

Imagina só isso: o político utilizando a web como utiliza a TV – para mentir, basicamente. Essa é muito boa (risos). Na rede, uma mentira dura dois minutos. E, uma vez descoberta, centenas de pessoas vão ter o prazer de denunciá-la. Isso aconteceu com o Lula. Um dia ele resolveu que queria ser Barack Obama e fez um blog. Só que não permitiu comentários. Poos alguém duplicou o blog dele num espaço aberto para comentários. Uma lição de que não dá para se aproveitar da internet dessa maneira. Uma vez dentro da rede ele terá de se submeter às regras dela, que não têm nada a ver com as regras da TV. O problema é que os políticos, seus estrategistas e marqueteiros querem transferir o passado para o novo. Eles não têm a menor noção dessa nova democracia, dessa nova opinião pública que está nascendo. Querem entrar num contexto no qual o político é visto com maus olhos. A imagem dele é negativa, porque tradicionalmente ele representa o contrário do que se faz ali. Ele tem uma proposta pronta e, através da sedução, busca obter consenso da maioria da opinião pública para se eleger. A comunicação parte dele e volta para ele. A internet permite outro modelo: que ele apresente sua proposta, que vai ser continuamente debatida, modificada e aprimorada – e daí vai nascer o consenso.

Quer dizer que no futuro os candidatos a representantes do povo podem surgir das redes sociais da internet?

E é provável que eles sejam completos desconhecidos para quem estiver fora dessas redes. A função do político tradicional tende a desaparecer. Não vai ter mais aquela coisa de ele prometer fazer, porque a nova opinião pública formada por essas pessoas conectadas em redes sociais já está fazendo sem ele.

Mas qual o peso real dessa nova opinião pública em termos eleitorais no Brasil?

Por enquanto, pequeno. A opinião pública cobiçada pelos políticos é a televisiva. Aquela suscetível à propaganda e ao marketing político. O cenário está mudando rapidamente, mas quem vence eleição ainda são os marqueteiros. A TV tem regras precisas que são dominadas com perfeição por eles. Quanto mais o político se submete ao marqueteiro, maior a sua chance de vitória. Então, dizer que a Dilma não tem experiência em cargos executivos, por exemplo, pesa pouco para essa opinião pública televisiva. Já ela fazer plástica ou, do lado de lá, fotografar o Serra em pose de Obama, com a mão segurando o rosto, pedir para ele sorrir mais em público, isso sim tem impacto na opinião pública televisiva. O fato é que nem Serra nem Dilma são capazes de conquistá-la sozinhos. Ambos dependem dos seus marqueteiros.

Pesquisa eleitoral que ouve 3 mil pessoas capta o que pensa a opinião pública?

No contexto atual de política do espetáculo, política que associa aos conteúdos as imagens televisivas, deve-se reduzir a importância normalmente atribuída às pesquisas de intenção de voto. Uma vez que a política deixa de ser doutrina ideológica para se assumir como arte dramatúrgica, a disputa eleitoral se torna algo muito próximo de um reality show. E aí o que vale é o excesso e a surpresa, a presença midiática, o ataque ao adversário, a construção de uma imagem que se pretende vencedora.

As enquetes mostram que 60% dos eleitores não sabem dizer espontaneamente o nome de um pré-candidato à Presidência da República. O que isso significa?

Significa o afastamento da política do público. Não do público da política. A política partidária, feita por lobbies preocupados apenas em se manter no poder, não interessa, cansou. E não é por motivos ideológicos, já que no fundo as diferenças entre políticos e partidos são muito pequenas. É porque a humanidade se deu conta de que a classe política é um grande câncer, no mundo inteiro. A política tradicional é feita pelas pessoas menos qualificadas – reservadas as devidas exceções, obviamente. Só que do outro lado, na rede, há cidadãos ativos, conscientes, exercendo sua cidadania diariamente, que não entram nesse jogo antigo. Isso explica as altíssimas taxas de abstenção nas eleições na Europa, que beiram 50%. A população está cansada e, por meio da internet e das redes sociais, quer reformular isso. Me parece que temos agora a alienação dos políticos em relação a essa nova opinião pública, à política real, nas quais a sociedade cada vez mais organizada na web está construindo uma realidade melhor, independentemente das disputas eleitorais.

MARCO CIVIL É LEI A FAVOR DA INTERNET

ESTÁ EM curso a segunda fase do debate que está construindo um Marco Civil para a internet no Brasil. Trata-se de um processo inovador, aberto a toda sociedade. A iniciativa é do Ministério da Justiça, em parceria com o Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getulio Vargas (CTS-FGV).
Seu objetivo é estabelecer as regras fundamentais para a rede no país.
Não através da criminalização, nem da restrição a direitos, mas, sim, pela concretização na rede dos direitos fundamentais estabelecidos pela Constituição. Seus pilares são a defesa da privacidade, da liberdade de expressão, a criação de salvaguardas para sites e blogs, a garantia de direitos básicos de acesso à rede e a ampliação do acesso a dados governamentais.
Em síntese, ele propõe que o acesso à internet é requisito para o exercício da cidadania no mundo de hoje.
Contrapõe-se a uma tendência brasileira e global de criminalização e restrição a direitos na rede e é produto da intensa mobilização da sociedade civil contra projetos de lei que radicalizam a regulamentação da rede.
Dentre eles, o polêmico projeto de lei nº 84/89, que, na redação atual, estabelece crimes excessivamente amplos, que levam à restrição de direitos dos usuários. É equivocado estabelecer que os conflitos na rede devam ser decididos essencialmente pela esfera criminal, como quer esse projeto.
O Marco Civil é necessário porque hoje, depois de mais de 15 anos de acesso público à internet no país, ainda convivemos com a ausência de regras. Apesar disso, o Judiciário é chamado constantemente para decidir conflitos. Mas, como não há legislação específica, as decisões acabam sendo contraditórias.
Um exemplo é a ordem judicial que mandou bloquear o acesso ao YouTube em todo o Brasil por conta de vídeo da modelo Daniella Cicarelli em situação íntima em praia da Espanha.
Filtrar um site na raiz da conexão de um país é medida extrema, adotada em geral só por regimes autoritários, como China ou Coreia do Norte.
Com a ausência de regras, são comuns também os casos de blogueiros, sites e provedores condenados automaticamente por conteúdos de terceiros. Um exemplo é o autor de um blog no Ceará que foi condenado em R$16 mil por conta de um comentário postado no site.
O objetivo do Marco Civil é reduzir essa atual situação de imprevisibilidade e desenhar os limites da responsabilidade na internet, de forma que blogs, sites e provedores não sejam responsabilizados automaticamente por qualquer conteúdo de terceiros.
Com isso, estimula-se o amadurecimento da “websfera”, criando melhores condições para quem quer inovar e empreender na rede brasileira.
A proposta do marco é de ponderação, de equilíbrio entre interesses diversos. Nesse sentido, seu texto inicial apresentou uma solução intermediária para a questão, baseada nas contribuições recebidas e nos modelos adotados na Europa e nos EUA.
Por ele, sites e blogs somente seriam responsáveis por conteúdos de terceiros se, notificados pelo ofendido, não agissem para removê-lo.
No entanto, o autor seria informado da notificação e teria a chance de contranotificar, mantendo o conteúdo no ar e assumindo a responsabilidade por ele. Qualquer terceiro poderia fazer o mesmo, protegendo conteúdos na rede. Esse sistema privilegia as próprias partes, que se tornam protagonistas da solução do conflito, sendo o Judiciário chamado apenas quando necessário.
Após três semanas de amplo debate, essa solução não pareceu ser a mais adequada. As contribuições enviadas individualmente e por instituições apontaram em outro sentido: o de que provedores, sites e blogs só devem remover conteúdos de terceiros a partir de uma ordem judicial, e não quando notificados pelo ofendido.
Com isso, a nova proposta foi incorporada e passa a ser objeto do debate.
Qual deles é o melhor caminho?
Não cabe nem ao Ministério da Justiça nem ao CTS-FGV decidir. A solução final será construída através da participação ampla de indivíduos, organizações e entidades de classe, que podem contribuir pelo site www.culturadigital.br/marcocivil até o dia 23 de maio. O texto do Marco Civil é o ponto de partida.
O compromisso de todo o processo é com o debate. E já existe um consenso importante: qualquer regulação da internet no Brasil deve ser necessariamente precedida de ampla discussão, valendo-se para isso das possibilidades de participação do nosso tempo.


RONALDO LEMOS, mestre em direito pela Universidade Harvard e doutor em direito pela USP, é diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV e colunista da Folha.

DIRTY MONEY

Nos últimos meses, uma série de acontecimentos, aproximaram os mundos  da cultura e da política.

A exposição da Choque Cultural no MASP, o reconhecimento internacional e institucional de artistas como OsGemeos, o Fertival de Política da Trip lotado em pelno domingo, a produção colaborativa e comunitária do Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta  e o próprio movimento original de revitalização urbana que ocorre no Baixo Augusta são exemplos disso.

Outro evento simbólico e muito importante entrou nessa lista. O pré lançamento do documentário Dirty Money no MuBe foi um exemplo de mobilizacão social, pois juntou uma parcela expressiva e importante dos atores da cultura alternativa brasileira. Além disso, foi um marco da evolução do skate do ponto de vista esportivo e econômico.

O documentário de Alexandre Vianna e Ricardo Koraicho retrata uma geração que revolucionou a cultura de rua através do skatebording. Com o desastroso plano Collor, a cena do skate no início dos anos 90 estava falida. Motivados pelo espírito ‘faça você mesmo” alguns amigos ainda adolescentes se juntaram para combater a péssima situação através da gravação de um vídeo de skate, chamado Dirty Money.

O vídeo, sucesso instantâneo, contagiou skatistas de todo país e motivou ações que podem ser consideradas fundamentais para a retomada desse esporte que cresce e se consolida a cada dia no Brasil.

Estive muito perto do movimento do skate no início dos anos 2000, na época em que fui Coordenador de Juventude da Prefeitura de São Paulo. Em conjunto com Ale Vianna e a Confederacão Brasileira de Skate, desenvolvemos um jeito novo e diferente de relação entre poder público e movimento social. Foram contruídas 64 pistas na cidade, com consultoria especializada dos próprios skatistas e apoiados centenas de campeonatos e atividades relacionadas ao esporte. Hoje em dia, o trabalho de anos atrás, colhe frutos como o reconhecimento generalizado – tanto pelo mercado como pelo poder público – de um esporte antes tão marginalizado, além dos ganhos esportivo e cultural que equipamentos e eventos como os realizados são capazes de proporcionar.

Ao ver o MuBe lotado de gente – coisa que aliás é rara naquele espaço, senti uma sensação parecida da que tive no lançamento da exposição da Choque Cultural no Masp. Assim como na invasão do grafitti ao principal museu do Brasil, depois de alguns minutos de alegria pelo palco nobre, constata-se que o Dirty Money e o skate hoje são muito mais importantes para revitalização de espaços como o Mube do que vice versa.

Isso acontece pois o movimento ganhou tamanha importância e capilaridade social que quando observamos com atenção, percebemos que trata-se de algo que faz parte da identidade da cidade e que realmente, como disse acima, é um grande exemplo de aproximação da cultura com a política. E o filme retrata isso perfeitamente.

Vejam a história da enorme e organizada cultura do Skate, que mudou a cara de São Paulo.

A ERA DA DELICADEZA

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Já passou o tempo em que o capitalismo selvagem, a busca pelo acúmulo de capitais a todo custo e a lógica do mercado ditavam toda a nossa vida em sociedade. A crise econômica mundial colocou em xeque esse modelo e ajudou na percepção de que vivemos a necessidade de uma total transformação.

O ponto de mutação teorizado pelo grande físico Fritjof Capra vai além da escassez de recursos naturais e das mudanças climáticas. O ser humano parece mergulhar numa transformação radical: cada vez mais as pessoas estão em busca de um sentido para a vida, querendo deixar um legado, pensando em construir um mundo melhor, não se contentando apenas com seu próprio bem-estar. É cada vez mais comum encontrarmos ricos infelizes ou pessoas que sempre foram arredias à política buscando algum engajamento e preocupadas com o futuro do mundo que seus filhos habitarão.

Talvez seja por isso que filosofias orientais que pregam a tolerância e o equilíbrio, estudos que levam em conta uma visão holística do mundo e ações em defesa de um mundo sustentável estejam em voga e se alastrem por toda parte, gerando cada vez mais interesse e participação.

Esse refluxo em busca de uma nova vida e identidade do século 21 pode ser considerado um efeito colateral provocado pelo sistema agressivo do século passado. Voltando a Capra, quase um novo ciclo se inicia em contraponto ao movimento anterior. A ideia de ter cada vez mais, do ponto de vista material, parece não ser mais suficiente para nossa felicidade.

A própria revista Trip é um exemplo de transformação. A ideia de discutir a fundo os pilares de uma vida feliz mudou não só a revista, como o mercado em que ela estava inserida. Vieram com isso uma função social mais ativa, o prêmio Trip Transformadores e o Festival de Política.

Acredito que a palavra que melhor simboliza esse novo momento que descrevo aqui é delicadeza. Precisamos dela em todas as áreas, e na política não é diferente. Em ano eleitoral, isso fica mais evidente com discursos repetidos e promessas presas ao passado e que não representam esse anseio crescente nos corações das pessoas. Esse mergulho quase espiritual deveria estar em pauta na agenda de todos os candidatos na eleição deste ano. A sensibilidade de compreender antes transformações sociais desse nível deve ser uma das mais importantes qualidades de um homem ou de uma mulher que se dispõe a entrar na esfera pública.

PÓS-LULA

No atual processo político brasileiro, acredito que, por enquanto, apenas Marina Silva tem demonstrado a compreensão desse novo momento.

Ela tem se diferenciado justamente por sua delicadeza. Sua insistência na luta por um mundo sustentável, a busca por novos valores na política que simbolizem o rompimento com o modelo do passado e a crença na união nacional são marcas importantes.

Precisamos que todos os candidatos para todos os cargos em disputa entendam o que está acontecendo com nosso mundo. Necessitamos de outras ideias, outras propostas, outras prioridades. Esse é o salto de qualidade que falta para nosso país e talvez seja o ponto fundamental da reconciliação de tantas excelentes cabeças com a política real e a esfera pública. Vamos preparar o Brasil para o futuro. Que o pós-Lula seja a era da delicadeza.

SÃO PAULO UNLEASHES BRAZILIAN CREATIVE ENERGY

Graffiti art in Sao Paulo. Photo by Juliana Ferreira
Street art: a section of the graffiti in Sao Paulo’s Vila Madalena district

It is known as Batman’s Alley and on Google Maps it looks like any of the hundreds of narrow inner streets that twist and turn within Sao Paulo’s blocks.

What makes it different and cannot be seen from above is that every single wall in its 100m extension is covered top-to-bottom with graffiti of all shapes and colours.

The graffiti here are not the average large-letter tags, although there is a lot of that.

Batman’s Alley or Beco do Batman, in Portuguese, resembles more an open-air street art gallery, where abstract, surreal, psychedelic and geometric paintings colourfully co-exist.

You only need to drive for a few blocks in Brazil’s biggest city to encounter its thriving graffiti culture.

It is the most visible expression of a new, creative, buzzing Sao Paulo that has emerged in the last 10 years.

A vast and diverse network of musicians, playwrights, film-makers, painters, cartoonists, actors, singers, DJs, writers, poets, dancers, architects and fashion designers have not only been busy producing work but are also helping to lend 21st Century Sao Paulo a cosmopolitan, artistic edge which is unprecedented.

“Foreigners use the word ‘energy’ a lot to describe Sao Paulo,” says Baixo Ribeiro, who along with his wife Mariana Martins, has fostered and promoted urban and street artists since 2003 through their gallery Choque Cultural.

“They say they feel a vibe which is different to other places. It has a lot to do with the zeitgeist: Brazil and other countries which were always secondary but that are now emerging strongly.”

Baixo and Mariana’s gallery is a true pioneer in Brazilian art.

They were the first in the country to tap into new urban art forms such as graffiti, stickers, posters and tattoos and place them in a gallery where they could earn critical respect, reach a wider audience and be commercialised.

Last December, Sao Paulo’s Paulista Avenue hosted a watershed moment.

Draped over the modernist concrete and glass block that is Sao Paulo’s MASP art museum, home to Van Gogh and Monet paintings, was a huge banner announcing an exhibition with several of the city’s graffiti artists, curated by Choque Cultural.

“MASP invited us to bring our work to a larger audience. The six participating artists created an environment with a lot of visual ‘volume’, with nearly 100% of the place painted with massive doses of spray can, acrylic and other materials,” explains Baixo.

The exhibit was a success, with 135,000 visitors in 10 weeks.

Brazilian urban art has travelled much further though.

Osgemeos (literally, the twins), two brothers from Sao Paulo’s northside, are to Brazil what Banksy is to the UK: street artists who have become household names.

They have displayed their work at the Tate Modern in London (alongside fellow Brazilian artist Nunca), customising the museum’s facade.

Osgemeos have also taken their work to Japan, the US, Greece, Spain, Switzerland, Italy and Cuba.

Studio SP
Studio SP has helped to launch Brazilian acts

“What’s going on has a lot to do with the city’s entrepreneurial spirit,” says Alexandre Youssef, one of the owners of Studio SP club, a key venue for a whole new live music scene.

“In previous decades, it had to do mainly with industry, then services. Now it is visible in the creative industry,” he says.

Mr Youssef is also involved in politics: he is running for a seat in the national Congress in this year’s elections.

His platform is the development of the creative industry in Sao Paulo, which he says has had very little support from local authorities.

Decorated with fine examples of urban art (including a painting by Osgemeos), Studio SP has hip music-lovers lining up every week to enjoy a vast array of music: rock, dub, new Brazilian pop, folk, electronic.

“There has been an explosion of live, authorial music over here, with artists like Mallu Magalhaes, Curumim, Cibele, 3 na Massa,” says Youssef.

Brazilian singer Ceu
Ceu: One of Sao Paulo’s musicians to also find recognition abroad

One artist who Studio SP helped to launch was Sao Paulo-born Ceu.

The delicate-voiced singer went on to become the most important names of a new generation of Brazilian female singers.

Ceu has been praised in US publications such as Spin and Rolling Stone. She has toured extensively abroad, playing in major events such as the North Sea Festival in Holland, and Coachella in the US.

Studio SP is located in a central area known as Baixo Augusta.

Only five years ago, it was mainly gawdy strip joints, transvestite salons and dilapidated buildings.

These are all still there, but they have been joined since by dozens of trendy clubs, bars and live venues, making Baixo Augusta Sao Paulo’s answer to London’s Shoreditch.

By transforming areas such as Baixo Augusta, Sao Paulo’s cultural boom is also helping to revitalise once run-down areas in the city’s central area.

Another good example of this is nearby Plaza Roosevelt, once an almost derelict area, now a hub of alternative theatre, dotted with bars and small theatrical venues.

However, as Rodolfo Vazquez, a director at the Satyros company, explains, revitalisation does not have to mean gentrification.

“We never wanted to expel the transvestites and drug dealers which dominated the area. On the contrary, we try to integrate them, understand their problems and their social habits. We have even managed to bring some into the group’s plays.”

Melting pot

“Sao Paulo is one of the coolest cities in the world right now. As it is relatively far from the world’s main metropolises, the culture has developed on its own terms,” say Laima Leyton and Iggor Cavalera who together deejay and produce electronic music under the name Mixhell.

Cavalera reached global fame as the drummer of Brazilian heavy metal band Sepultura.

Batman Alley
Sao Paulo: A place where different cultures meet

Some years ago he turned his attention to dance music and formed Mixhell with his wife Laima. With a busy diary of gigs abroad, they will play the Glastonbury music festival in the UK this year.

Mixhell are one of many acts to emerge from Sao Paulo’s vibrant clubbing scene and gain international prominence.

Others include DJ Marky, who had a UK chart hit with LK back in 2003, and Gui Boratto, who is signed to German label Kompakt and has remixed Goldfrapp and the Pet Shop Boys.

“Sao Paulo is a very dynamic place, where different cultures meet,” say Iggor and Laima.

The melting pot aspect is also highlighted by Youssef.

“People from all over Brazil come here. The city tends to attract enterprising, creative people, who come after an environment where they can make things happen. Sao Paulo is open to everyone.”

ENTREVISTA AO BLOG ACESSO

Nascido na cidade que nunca para, Alexandre Youssef segue o mesmo ritmo e não cansa em sua busca por uma sociedade mais democrática e igualitária. Advogado, já foi professor de Ética e Cidadania e de Política contemporânea; atuou como assessor especial do Ministro da Justiça; dirigiu a implementação da Coordenadoria Especial de Juventude da Prefeitura de São Paulo; e assumiu o cargo de Coordenador de Juventude da cidade. Além disso, Youssef é um dos criadores do site cultural OVERMUNDO – primeira experiência digital brasileira com tecnologia 100% colaborativa–, do Instituto OVERMUNDO, que busca promover o acesso ao conhecimento e à diversidade cultural; colunista  de política da revista TRIP; e sócio do STUDIO SP, casa de shows que destaca a música de vanguarda.

Em entrevista exclusiva ao Acesso, Alexandre Youssef mostra sua visão do atual desenvolvimento cultural de São Paulo; fala sobre políticas públicas culturais e arte de vanguarda.

Acesso – Você atua em diversas frentes: escreve para revistas, assina um blog, trabalha em projetos sociais e ainda participa de palestras e debates. O que te motiva a falar e trabalhar tanto para o desenvolvimento da arte e da cultura?
Alexandre Youssef – Essa motivação surge de uma vocação, do amor que tenho pela arte e pela cultura. Mas a grande força motriz de minha ação é a percepção do atual momento cultural de São Paulo. É essa agitação, essa efervescência, que aumenta a cada dia e torna minha vontade maior. Esse momento diferente está me impulsionando ainda mais.

Acesso – E que momento é esse que estamos vivendo em São Paulo agora?
A.Y. – Vivemos uma fase especial. Há uma vitalidade nos movimentos culturais que nunca havia visto, uma intensidade criativa. A arte de vanguarda impulsiona espaços culturais e organizações da sociedade e, pela primeira vez, vejo a arte ter grande impacto no ambiente econômico.

Acesso – Qual é a sua visão sobre as atuais políticas públicas culturais?
A.Y. – Do ponto de vista municipal, elas perdem inúmeras oportunidades de ação que trariam frutos. E não há qualquer apoio para as iniciativas capilares que já existem em São Paulo. Do ponto de vista estadual, há investimentos, porém, articulados de forma equivocada. Como exemplo, temos projetos desenvolvidos com o intuito de revitalizar determinadas regiões que, no entanto, não levam em conta o entorno e, consequentemente, não promovem mudanças. Já no âmbito federal, existe uma primeira abertura, mas que ainda é pequena.

Acesso – Você listou os âmbitos da atuação política para a cultura – municipal, estadual e federal –, citando questões específicas. Na sua opinião, que pontos responsáveis por emperrar o desenvolvimento da cultura seriam comuns às três esferas do poder público?
A.Y. – O grande problema é que se perde muito tempo com politicagem, perdendo junto o tempo destinado à ação. É preciso criar formas mais ágeis para o incentivo. Conecta-se, ainda, a isso a incapacidade das pessoas de perceberem o novo, a vanguarda. É essa roda presa que não permite que as pessoas se conectem.

Acesso – E o que seria preciso para potencializar essas iniciativas? Ou mesmo, para viabilizar iniciativas em lugares nos quais ainda não existe um movimento próprio como o de São Paulo?
A.Y. – Primeiro, é preciso entender a cultura local e potencializar essa cultura, o que já existe. Depois, é preciso que se valorize esses movimentos no lugar de criar novos por se acreditar serem mais adequados, mais promissores. Deve-se ampliar o que é próprio da cultura local, isto é, o verdadeiro potencial de cada local. Muitos lugares têm uma vida cultural agitadíssima, mas não recebem incentivos; enquanto para outros projetos, que não possuem nenhum valor popular, há investimento de tempo e de dinheiro.  O que acontece em São Paulo é distinto, porque em São Paulo vive gente do Brasil inteiro e há a tradição da convivência e da valorização das culturas locais.

Acesso – Você citou anteriormente a questão das iniciativas “equivocadas”. Como equacionar a cultura local com as funcionalidades adequadas?
A.Y. – Cito os exemplos do Baixo Augusta e da Cracolândia. Uma coisa é movimentar o que já está no local, outra é construir um super museu no lugar errado, sem a estrutura adequada. Tentar revitalizar um espaço, levando pessoas de outros lugares para ele é errado. É preciso fazer primeiro um trabalho com quem vive no local.

Acesso – O que quer demonstrar, então, é que não basta pensar na ação de uma forma generalizada? É preciso pensar na forma como esta ação será desenvolvida?
A.Y. – Sim, a forma precisa estar alinhada às outras ações. A Virada Cultural, por exemplo, é uma ação incrível, mas não poder ser única, acontecer isoladamente, uma vez ao ano. Não existe outro tipo de estímulo cultural em São Paulo que não a Virada e é preciso criar outros projetos ao longo do ano. Veja as iniciativas públicas francesas, idealizadoras do conceito de virada cultural. O que acontece é que não se tratam de ações isoladas; existem outras ações que antecedem o período da virada. É preciso aproveitar o movimento e construir novas ideias por meio dele.

Acesso – Segundo artistas do grafite, como Fefe Talavera e Loro Vertz, que já moraram em países como Inglaterra e Espanha, a aceitação popular das artes de vanguarda seria bem maior no Brasil. Sob o seu ponto de vista, existiria um desenvolvimento maior das artes de vanguarda no exterior do que aqui…
A.Y. – São duas coisas diferentes. O destaque na Europa são os projetos públicos e não a ideia popular. Sem dúvida, o desenvolvimento de projetos para a cultura lá é muito mais estimulado e articulado pelos governos. Entretanto, tenho certeza que São Paulo está à frente quando se fala em aceitação e envolvimento público. Não tenho a menor dúvida que o que acontece no Baixo Augusta é mais inovador e libertário do que qualquer movimento que acontece em Londres ou Nova York. O que a Choque Cultural faz, por exemplo, é muito vanguardista. Mas em relação às políticas públicas, nisso temos de nos inspirar em diretrizes de fora.

Acesso – Você fala muito sobre o envolvimento do público. Qual o perfil desse público que se interessa pela cultura brasileira de vanguarda?
A.Y. – O que essas pessoas estão procurando são ideias novas. Existe um crescimento contínuo de público em busca disso e, consequentemente, um manancial crescente de ideias.

Acesso – Falando um pouquinho sobre música, sua principal área de envolvimento, qual o diferencial da nova cena?
A.Y. – Estamos em um grande momento artístico. E esse desenvolvimento está na base do processo musical, que mudou muito. Antes, só tinha destaque o que os grandes meios de comunicação queriam, por meio de jabás e trocas de favores. Com o crescimento de mídias alternativas, com a revolução da internet, foi aberto um espaço para o que acontece fora da grande indústria. Criamos um paradigma e, com isso, abrimos a caixa para a diversidade. Soma-se a esse cenário a efervescência da cidade de São Paulo. Existe aqui uma série de artes novas. As criações não são tão inovadoras do ponto de vista estético, com novos estilos musicais, mas do ponto de vista da mistura de estilos e tendências, são revolucionárias.

Acesso – Você acredita que a cultura urbana seja a base desse novo fazer artístico e cultural? Dessas tendências e misturas revolucionárias?
A.Y. – Nossa geração é altamente atuante e participativa, ao contrário do que se possa imaginar. A cultura urbana é a essência, sim, pois é ela o ponto de encontro de tantas ideias. É na rua que há a mistura de tantos grupos e onde há a possibilidade dessa troca de conhecimentos em busca do novo. Na rua e na rede. Muitas pessoas acreditam que a rede é somente um meio. Mas ela é muito mais que isso. Ela é, em si, parte da transformação.

Acesso – E você acredita que a arte de vanguarda, que está nas ruas das cidades, vai possibilitar a democratização cultural?
A.Y. – Acredito que já esteja democratizando. Estamos no curso desse acontecimento e veremos, sim, esse resultado positivo para a cultura do País.

Veja na íntegra: http://www.blogacesso.com.br/?p=2723

SOBRE O MALING DA MINHA CAMPANHA

No Studio SP sempre tive contato diário e direto não só com as bandas que escalava, como também com cada um dos artistas de arte urbana que ali demonstravam seu trabalho, cada produtor que queria fazer algum projeto e com grande parte dos freqüentadores. O Studio SP e eu somos quase a mesma coisa. E me orgulho muito disso, pois trabalhei demais para construir algo que já faz parte do imaginário da cidade , deu oportunidade pra tanta gente e é sinônimo de qualidade musical.
Meu maling, assim como minha vida, sempre foi misturado com o do Studio SP. Eu mesmo respondia as perguntas, disparava informativos e usava o email do Studio para contatos que extrapolavam o próprio negócio. Coisa típica de uma empresa que se construiu junta com a história de seu dono.
Usei meu maling para divulgar minha candidatura a deputado federal, sem me preocupar com a separação de assuntos (música e política) porque conheço pessoalmente muitos dos freqüentadores da casa e sei que os mesmos são totalmente afinados com nossos valores de inovação cultural, oportunidade para novos talentos, revitalização urbana e atenção com a economia criativa. Por isso mesmo, venho recebendo muitos apoios dos freqüentadores, artistas, produtores e do meio cultural em geral.
Lamento demais se, para algumas pessoas, isso pareceu abusivo.  Peço desculpas por isso. Definitivamente não era minha intenção. Todos que se irritaram, obviamente, podem ser excluídos do maling automaticamente.  E os que pediram isso por email, já foram atendidos. E, claro, por conta desse equívoco, já não estou usando mais o maling do Studio.
Estou seriamente comprometido com a busca de uma outra política.  Minha trajetória deixa isso claro. Por isso, nesse começo de campanha já recusei  dinheiro de empresas não afinadas com minha prática e não aceitei fazer propaganda que fere a lei cidade limpa – apesar da justiça eleitoral liberar. Além  disso, não admito o curral eleitoral, a contratação de lideranças comunitárias e dobradas eleitorais que não tenham identidade de propostas claras.
A internet, portanto, é o recurso que escolhi para divulgar minhas ideias, não só pela familiaridade que tenho com suas ferramentas desde o tempo que participei da criação do site Overmundo, como também por uma opção ecológica e verde de não sujar a cidade. Sempre detestei sujeira eleitoral.
Acredito de verdade que os temas da minha campanha devem ser discutidos amplamente, principalmente por quem não se interessa por política, pois são assuntos que interferem diretamente na vida da nossa geração.
Vamos em frente!

FESTA DE LANÇAMENTO!

Na terça feira dia 3/8, a partir das 20h, faremos uma festa de lançamento da campanha no Studio SP.

É um momento importante pois já teremos impressos os poucos materiais que fizemos. Assim, todos os presentes poderão conhecer e levar as peças criadas para divulgar nossa campanha.

O lançamento é o ponta pé inicial de um processo que promete ser muito rico não apenas pelos debates que vamos gerar, mas também pela contraposicão de ideias e conceitos que nossa campanha pretende expor em relação à política convencional que tanto criticamos.

Seria sensacional contar com todos vocês!

Obrigado, desde já, pela força!

EU E A MARINA NA LAN HOUSE DA AUGUSTA

Bacana a matéria do site Oba-Oba sobre nossa visita à lan house durante twitaço pró Marina:

http://www.obaoba.com.br/brasil/magazine/marina-silva-high-tech

LEI ELEITORAL FERE CIDADE LIMPA

Absurdo a lei eleitoral permitir propaganda que suja a cidade e ignorar o cidade limpa. Mesmo podendo eu não vou fazer isso. Não usarei faixas plásticas, placas, muros pintados com meu nome, nada disso. Sempre detestei a sujeira eleitoral.

Sua presença é muito importante para iniciarmos nossa campanha! Apareça no dia 3/8 pra ajudar o Ale a se eleger Deputado Federal!